Estar insatisfeito com o corpo é bom ou ruim?


Tradução: ?Eu aposto que ela não faz ideia do quão sortuda ela é.?

Por Cezar Vicente Jr., nutricionista

Talvez muitos de nós responderíamos à pergunta do título com um alto e confiante ?É bom sim! Isso ajuda as pessoas a buscarem um corpo mais saudável!?, mas será que é isso mesmo? Será que é simples assim?

Vamos tentar entender um pouco mais sobre isso.

Um estudo científico com 193 mulheres verificou que de cada 10 universitárias aproximadamente 8 tinham um peso considerado ?normal? de acordo com o IMC. Porém, mesmo grande parte delas estando com um ?peso adequado?, a maioria (quase 85%!) estava insatisfeita com o seu peso.

Outro estudo realizado com adolescentes com sobrepeso e obesidade verificou que 7 de cada 10 meninas e 6 de cada 10 meninos estavam insatisfeitos com seu peso.

Bem vindos ao mundo onde a grande maioria das pessoas está insatisfeita com o seu peso, nós moramos nele!

Mas será que estar insatisfeito com o corpo ajuda alguém a ter e manter hábitos saudáveis?

Vamos pensar:

A) O número de pessoas com sobrepeso e obesidade só tem aumentado em boa parte do mundo;

B) O número de pessoas insatisfeitas com o corpo também só aumenta;

Julgando que estar insatisfeito com o corpo é o melhor agente de mudança, as pessoas não deveriam ficar mais saudáveis ao longo do tempo? Não deveríamos estar indo no caminho inverso?

Minimamente podemos pensar que há algo errado nessa certeza de que ?quanto mais insatisfeitos com corpo, melhor para a saúde!?.

Muitos de nós temos uma fantasia em relação ao que uma pessoa insatisfeita com o corpo faz com essa insatisfação, em termos de peso. Vejam as figuras abaixo. A primeira representa o que pensamos que acontece na maioria dos casos, a segunda mostra o que realmente acontece na maioria dos casos.





Para ser mais claro, cito alguns exemplos.

Círculo verde: ter uma alimentação variada, comer alimentos de todos os grupos alimentares ? carboidratos, frutas, legumes, verduras, laticínios, feijões, carnes, doces e óleos/gorduras, comer de forma mais fracionada durante o dia, se relacionar com a comida sem medos, etc.

Círculo vermelho (com potencial elevado de riscos à saúde): pular refeições, dietas líquidas (ex: dieta da sopa), substitutos de refeições (ex: Diet Shake), usar medicações/suplementos, usar medicações com uso proibido pela ANVISA, fumam, tomam laxantes, chás "emagrecedores", etc.

Para endossar essa discussão cito mais dois artigos:
1. http://www.scielo.br/pdf/jbpsiq/v61n3/07.pdf
3. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1054139X05005410

Estes estudos mostram associação positiva entre insatisfação com o corpo e comportamentos de risco à saúde para quem quiser se aprofundar mais no tema.

Resumindo:
1) Ter um ?peso adequado? não significa necessariamente estar satisfeito com o seu peso.

2) A grande maioria das pessoas com obesidade/sobrepeso está insatisfeita com o seu peso.

3) Estar insatisfeito com o corpo não ajuda as pessoas a serem mais motivadas (?menos acomodadas?*) para terem hábitos saudáveis, muitas vezes isso tem o efeito contrário.
Entrar querendo motivar uma pessoa via corpo/peso é bem complexo, podendo inclusive trazer prejuízos à saúde. Então que tal focarmos nos comportamentos saudáveis ao invés do peso?

Pense nisso! Reflita sobre a sua prática!

*Utilizar termos como ?acomodado? como característica de uma pessoa por conta do seu
peso, faz parte do imenso estigma que existe da obesidade. Esse tema já foi tratado aqui no blog. Leia mais em:
http://gentabrasil.blogspot.com.br/2012/06/estigma-da-obesidade.html
http://gentabrasil.blogspot.com.br/2012/09/estigma-da-obesidade-o-que-podemos-fazer.html

http://gentabrasil.blogspot.com.br/2012/05/especial-para-os-profissionais-da-saude.html




Autor Redação Genta

Equipe de Redação do Genta

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