"Além do Prato": Inspiração para projetos de prevenção em escolas


Por Karin Dunker, nutricionista


Fui convidada para participar no mês de outubro do ?Seminário Educação Além do Prato?, promovido pela Coordenadoria de Alimentação Escolar da Prefeitura de São Paulo. O evento apresentou uma série de atividades relacionadas a saúde, alimentação e educação. As atrações seguiram três objetivos: Compartilhar, voltado à troca de experiências sobre projetos realizados; Inspirar/Conhecer, voltado ao debate e à troca de conhecimentos; e Vivenciar, oferecendo atividades práticas aos participantes.


Minha participação como representante do GENTA, foi de mediadora, junto com outros profissionais da área, de um debate a respeito de um dos quatro eixos temáticos do evento: Saúde e Alimentação. Os temas foram trabalhados em um formato chamado de ?World Café? que trabalha com a metodologia ?Partilha em Círculos? que visa propiciar um ambiente de compartilhamento de experiências e reflexão sobre a inter-relação dos temas. Provoca os participantes a revisar conceitos e práticas do cotidiano, ampliando concepções. Como mediadora tive oportunidade de conduzir a discussão com educadores, coordenadores, merendeiras, entre outros, das escolas da prefeitura sobre como as atitudes deles poderiam ser promotoras de uma alimentação saudável no ambiente escolar.


Ao final da exposição dos participantes, a discussão permitiu a reflexão sobre pontos positivos e negativos no ambiente escolar, que podem ajudar ou não na promoção de uma alimentação saudável. As escolas vêm buscando melhorar a qualidade dos alimentos oferecidos, a sua forma de apresentação, incentivando o contato com novos alimentos, participação no processo de cozinhar, criando espaços para hortas etc. Por outro lado, os educadores apontam que mesmo com o incentivo, ainda têm que lidar com a oferta da comida considerada não saudável (Ex: salgadinhos, refrigerantes, biscoitos recheados) que é mais chamativa e prazerosa para as crianças. Outro ponto levantado foi quanto ao momento das refeições. Algumas escolas vêm buscando prover um ambiente agradável, que incentivo o prazer e a autonomia na hora das refeições. Por fim, levantou-se a questão da importância do educador no incentivo ao envolvimento das crianças com os alimentos, ou mesmo tendo um discurso que possa influenciar positivamente a construção de hábitos saudáveis.


No final, pude expor meu ponto de vista sobre o que foi apresentado. Foi uma experiência bem interessante, pois como especialista na área dos transtornos alimentares, e de prevenção, percebo que o ambiente escolar tem grande influência na construção de uma boa ou má relação com a alimentação. Apontei a importância do ambiente escolar na promoção de experiências alimentares enriquecedoras, que a longo prazo geram memórias alimentares positivas, e uma consequente melhor relação com os alimentos. A importância da participação dos professores como modelo, e no questionamento de si mesmos sobre suas crenças em relação a uma alimentação saudável, que muitas vezes pode ser distorcida, podendo gerar preocupações excessivas nas crianças, e uma maior preocupação com peso e alimentação no futuro. Refletir também sobre a forma de trabalhar conteúdos/projetos em sala de aula sobre alimentação saudável, desaconselhando o uso do discurso de alimentos proibidos, e que a forma mais efetiva, é promover um consumo consciente e equilibrado.


Resumindo, percebo que existem dificuldades na implementação de projetos, mas que mudanças e novas ideias estão surgindo nas escolas. Um destes projetos, que achei muito interessante, se chama ?Na Mesma Mesa?. A proposta é que os educadores acompanhem as refeições das crianças, e que nesse momento seja criado uma relação de confiança com as crianças e que elas sejam estimuladas a aceitação de novos alimentos, a partir de um discurso positivo e de não julgamento (veja aqui). 


O grupo GENTA apoia essas propostas e informa que recentemente lançou um conteúdo atualizado no site sobre prevenção, que inclui conceitos, como desenvolver projetos, quais grupos podem conduzir ações em prevenção (Ex: profissionais da área da saúde, diretores/coordenadores das escolas, pais e responsáveis), o que funciona ou não funciona em prevenção, exemplos de programas com bons resultados e também as ações do grupo, como a Semana de Concientização sobre Transtornos Alimentares.


Atualmente o grupo presta assessoria e consultoria para projetos em escolas, com pais, coordenadores e professores. Para maiores informações acessar no site, dentro do conteúdo de prevenção, o ícone assessoria e projetos de prevenção, e enviar para o grupo qualquer dúvida ou solicitação no e-mail: prevencao@genta.com.br

Autor Ana Carolina

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