Peso, peso e o peso... O quanto o peso corporal diz sobre sua saúde?


Por Paula Costa Teixeira, profissional de educação física


O peso corporal ainda é pauta de muitas conversas em torno das mesas de refeições. É frequente a expressão preocupada das pessoas sobre o quanto estão pesando na balança. Aqui no blog, nós membros do Genta e convidados temos levantado reflexões (há anos) e apresentado referências acadêmicas que comprovam o quanto o peso corporal sozinho não é parâmetro para definir o estado de saúde.


Como profissional que cuida do corpo, convido você, que está lendo esse post se preocupa com o peso corporal, a observar e sentir seu corpo agora. Pare e pense no seu corpo preocupado com o peso corporal. Se você pudesse estabelecer um dialogo com seu corpo, como seria?


Ora, se estamos dialogando sobre uma preocupação, é provável que essa conversa seja tensa, nervosa, ansiosa, estressante, raivosa, angustiante, exaustiva, perturbadora, sofrida, podendo ser até infernal.


Pois bem...se estamos falando sobre algo que preocupa e que envolve algum dos sentimentos citados acima, como você descreveria o seu corpo? Relaxado e tranquilo? Ou estressado e tenso?


Do ponto de vista fisiológico, quando estamos preocupados acionamos uma cascata de reações neuroendócrinas e químicas que quebram a homeostase do nosso organismo. Em outras palavras, há um desequilíbrio interno e deixamos nosso corpo em um estado de estresse fisiológico. Isso independe do seu peso corporal. Você pode estar num peso "aceitável", acima ou abaixo das referências de "peso saudável". Quando você está preocupado, os músculos se enrijecem, os "nervos se afloram", a testa franze, os pensamentos ficam angustiantes, e você vive cercado pela dúvida sobre o que pode ou não comer, e o quanto a sua escolha alimentar reflete no seu... peso.


É compreensível que o peso corporal seja um parâmetro tão "pesado" de se conviver mesmo. Por anos a ciência privilegiou medidas antropométricas como o peso corporal, para definir o quão saudável uma pessoa está. A questão é que saúde é um conceito que vai além de quaisquer parâmetros ou referenciais clínicos, que continuam sendo dados importantes, mas que não devem ser as únicas informações sobre saúde. Peso corporal não é único e nem o mais importante parâmetro de saúde. A busca de um peso corporal específico em prol da beleza estressa o corpo. Esse cenário deixa você vulnerável a desenvolver doenças mentais graves como transtornos alimentares, compulsão alimentar, depressão, ansiedade, irritabilidade, variações de humor, um desgaste mental que exaure e adoece.


Você já pensou que saúde é uma relação de duas vias? O que você acha que adoece em você? O corpo? Um órgão? Ou a relação que você estabelece com algo?


Quem adoece são as relações. A relação que você estabelece com você mesmo adoece você, o seu corpo, tira a sua saúde. Quando começamos a olhar a saúde por essa ótica é possível ver saúde em pessoas classificadas como obesas. É possível ver saúde em pessoas que não possuem condições financeiras adequadas. É possível ver saúde onde a gente acredita que não deveria existir. Isso porque a relação entre você, com você mesmo, ou ainda você com o outro adoece e prejudica a saúde mental, que reflete no emocional, no físico, e assim por diante.


Quando a sua relação com o corpo não está boa, você adoece. Quando a sua relação com a comida está preocupante, você adoece. Quando você não está bem com quem você ama, você adoece.


Portanto, cuidar das suas relações é um jeito de zelar pela sua saúde. Experimente estabelecer relações mais agradáveis e confortáveis com os seus pensamentos, com os seus sentimentos, com o seu corpo, com a comida e com as pessoas a sua volta.


Uma sugestão é treinar essa capacidade de observar as suas relações no cuidado com o seu corpo. Observe como está o seu estilo de vida no campo do movimento. Você passa mais tempo sentado e parado, ou você se movimenta ao longo do dia? Seja você mais parado ou mais ativo, experimente se movimentar com a intenção de estabelecer uma relação com o seu corpo, um diálogo, uma conversa com seus músculos, articulações, ossos, respiração e, principalmente, com o seu coração. Perceba o seu coração bater e sinta o quanto você está vivo. Todo movimento corporal promove alterações fisiológicas que, quando você se atenta e as reconhece, e se apropria, a integração mente e corpo acontece.


Essas informações estão sendo discutidas no mundo acadêmico nos mostrando o quanto a percepção sobre o que fazemos, pensamos, sentimos e agimos pode desencadear efeitos neurofisiológicos que nos permitem estabelecer novas relações.


Reconheça a atividade física que seu corpo executa na sua rotina diária e execute-as com percepção, e com o objetivo de se relacionar com o seu corpo. Você vai ver que ocupar a sua cabeça com outros assuntos, permitirá você se conectar com sensações muito mais agradáveis e saudáveis do que restringir seus pensamentos sobre peso corporal.


Estabeleça uma nova relação com o seu corpo e com a comida. Busque relaxamento, leveza, tranquilidade, alegria, vigor, entusiasmo, disposição, renovação, revitalização, totalidade, amistosidade, compaixão, respeito, zelo, cuidado e, principalmente, paz nas suas relações.

Autor Ana Carolina

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