A guerra contra a fisiologia humana



Por Manuela Capezzuto, nutricionista convidada


Segundo o dicionário Houaiss da língua portuguesa, fisiologia é definida como o "estudo das funções e do funcionamento normal dos organismos, especialmente dos processos físico-químicos que ocorrem nas células, tecidos, órgãos e sistemas dos seres sadios". Considerando essa definição, qual processo lhe vem rapidamente à cabeça como um dos mais naturais no corpo humano? Provavelmente respiração, alimentação, excreção ou envelhecimento.


O envelhecimento, ou melhor, a incansável busca por freiá-lo, é um tópico amplamente requisitado pela sociedade, ludibriada por tantas promessas do tão comentado e lucrativo mercado do anti-aging. Experimente buscar esse conceito no Google, você encontrará nada menos do que 68.200.000 resultados e provavelmente crescendo enquanto você lê esse texto.


Até aqui nenhuma novidade, a sociedade humana sempre buscou o elixir da longa vida. Agora vamos mudar de panorama e imaginar uma situação hipotética. Por qualquer motivo, alguém tem negado a vontade de fazer xixi. Muito trabalho, falta de tempo ou só preguiça, justificativas sempre encontramos. Provavelmente, em um primeiro momento ela não encontraria grandes problemas, mas depois de algumas horas um grande incômodo viria. E se isso viesse a se tornar recorrente talvez infecções urinárias  e cálculos renais também seriam.


E qual é o intuito do exemplo supracitado? Negar a vontade de fazer xixi parece algo estranho, mas e negar outra necessidade fisiológica como a fome? Bom, negar a fome é algo quase viral, uma miríade de profissionais de saúde recomenda fortemente, basicamente sugerindo que se alguém que emagrecer deve se privar e passar fome. Curioso pensar como tentamos a todo custo impedir sinais físicos inerentes e essenciais à sobrevivência humana. O corpo percebe a falta de comida não como um êxito, mas sim como uma ameaça e basicamente economiza o máximo que pode, ou "diminui o metabolismo", como está na boca do povo. Não há pimenta ou gengibre que acelere esse tal de metabolismo depois.


Ou seja, lutar contra a fome além de dolorido pode sim levar ao posterior ganho de peso. Sabe quando a gasolina do carro está na reserva e decidimos não ligar o ar condicionado, fechar as janelas e manter uma velocidade constante até o posto chegar? Nosso organismo faz basicamente a mesma coisa então diminui o gasto energético nas reações básicas. 


Uma coisa eu posso garantir. A guerra contra a fome é uma guerra perdida. A maioria da população não suporta negá-la por muito tempo, já que é um sinal tão fisiológico quanto respirar. Para os que conseguem, não se iluda, não são vitoriosos, provavelmente sofrerão muito mais do que os que não conseguem.

Autor Ana Carolina

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