Comer com prazer?


Por Karin Dunker, nutricionista


Como é o momento da sua refeição? Conhece histórias assim?


Pessoas que fazem das refeições um momento de desprazer, simplesmente comem por necessidade, por que é preciso comer, por que todos ao redor estão comendo. Suas escolhas são baseadas no que é saudável, no que é certo, no que dizem fazer bem para a saúde. O momento da refeição é simplesmente uma obrigação para suprir as necessidades do corpo, e poder ter energia para realizar suas tarefas diárias.  


Pessoas que comem rápido, que gastam menos de 15 minutos para fazer o almoço, e muitas vezes deixam de tomar o café da manhã, pois não querem perder tempo com isso. Não se planejam e não dão importância a esses momentos, em detrimento de outras atividades do trabalho, da casa, da urgência do tempo e de cumprir as suas obrigações.


Parar para comer, prestar atenção ao que está comendo tem se tornado uma questão comum em atendimentos, assim como o prazer em realizar as refeições. O alimento passou a ser visto como uma obrigação para muitos, algo que engorda, que pode fazer mal, que pode te deixar doente, e ao mesmo tempo algo que pode ser mágico, que seja a solução para uma doença, ou que não te deixe envelhecer. Mas será que as nossas escolhas alimentares devem girar somente em torno do que é saudável? Será que é possível associar ao prazer, e felicidade?


Estudos indicam que os tipos de alimentos que os indivíduos comem podem ter um papel importante em sua experiência de felicidade. Pesquisadores estabeleceram que certos tipos de alimentos ajudam a produzir emoções positivas nos indivíduos, enquanto outros podem produzir emoções negativas. Achados de um estudo com estudantes universitários que avaliaram em tempo real o efeito das escolhas alimentares sobre a felicidade indicam que os alimentos que mais contribuíram foram as frutas e vegetais, seguido pelos doces, derivados do leite e pães (Whal et al, 2017). Um outro estudo realizado pela Universidade da Califórnia, Merced, sugeriram que os alimentos ricos em carboidratos e gorduras ajudavam os alunos a atenuar as emoções negativas, como o estresse, e que embora os alimentos processados possam aliviar o desconforto associado às emoções negativas a curto prazo, as pesquisas evidenciaram que a felicidade duradoura reside em uma dieta saudável (Kauar e Van, 2017).


Refletindo sobre esses estudos, podemos pensar então que os alimentos sim podem ter efeito em sensações podendo trazer prazer e felicidade, a curto e longo prazo. O efeito pode ser sim o contrário se nos privamos daqueles que trazem bem-estar e prazer.  O senso comum é que devemos comer de tudo, e que nenhum alimento deve ser cortado de nossa alimentação a exemplo da dieta low-carb, sem glúten e sem lactose. O que comemos pode sim trazer felicidade. O prazer pode sim existir. Então que tal tentar repensar sobre o momento das suas refeições e sobre suas escolhas alimentares?


Referências:


Deborah R. Wahl DR, Villinger K, König LM, Ziesemer K,  Schupp HT,  Renner B. Healthy food choices are happy food choices: Evidence from a real life sample using smartphone based assessments.


https://www.nature.com/articles/s41598-017-17262-9


Kaur S, Van A. Do the Types of Food You Eat Influence Your Happiness?


https://escholarship.org/uc/item/83w161hs 

Autor Ana Carolina

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