Transtornos da alimentação na Infância

Transtornos da Alimentação na Infância e Dificuldades Alimentares

A versão anterior do Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais (DSM 4) e a atual Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID 10) trazem a descrição do Transtorno da alimentação da infância. De acordo com estas classificações, trata-se de manifestações que acometem principalmente crianças menores, com até seis anos de idade. Caracterizam-se por persistente recusa alimentar e/ou seletividade extrema a despeito de acesso alimentar garantido e ausência de doenças orgânicas, que podem levar à perda de peso e/ou prejuízos ao crescimento. Condiciona-se a este diagnóstico também a ausência de sinais de preocupação com a imagem corporal.   

No DSM 5, este quadro foi substituído pelo Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo ? TARE (descrição detalhada em ?Outros Transtornos Alimentares?), considerando-se não limitar sua ocorrência apenas às crianças.

Quadros alimentares restritivos e/ou seletivos são comuns e merecem atenção e tratamento adequados. De acordo com sua gravidade, são classificados como transtornos psiquiátricos, como no caso do TARE ou, quando menos graves, podem ser chamados de dificuldades alimentares.

Dificuldades alimentares é um termo proposto para abranger todos os tipos de problemas relacionados a comportamentos alimentares alterados e ingestão alimentar inadequada, seja ela quantitativa ou qualitativa, que levam preocupações aos pais ou responsáveis pela alimentação da criança. Estas dificuldades não são decorrentes exclusivamente de problemas orgânicos (p.ex: alergia alimentar, doença celíaca, doença do refluxo gastrintestinal, etc.), mas podem originá-las e/ou coexistirem.

Infelizmente, neste campo não há consenso entre os critérios que definem seus subtipos, entretanto, alguns especialistas propõem classificações baseadas nas principais características apresentadas. Estas propostas, citadas abaixo, pretendem diferenciar os quadros, embora uma mesma criança possa não apresentar todas as características ou apresentar mais de um tipo simultaneamente.

Os motivos que levam uma criança a ter dificuldades para comer são individuais e complexos, por essa razão os pais e responsáveis devem buscar ajuda com profissionais especializados na para auxiliá-los.

 

Principais propostas de especialistas:

A psiquiatra infantil americana, Irene Chatoor (2002), classifica os quadros alimentares em 3 principais grupos:

Anorexia Infantil ? recusa em comer quantidades adequadas por, pelo menos, um mês. A criança não demonstra fome nem interesse pela comida. O início do quadro ocorre normalmente entre seis meses e três anos e costuma levar a prejuízos no crescimento.

Aversão Alimentar Sensorial ? a criança recusa alimentos de acordo com suas características sensoriais (aparência, cheiro, sabor e textura), mas come bem os alimentos preferidos. Deve haver deficiências nutricionais e/ou atraso psicomotor associados.

Transtorno de Alimentação Pós Traumático ? criança apresenta medo de comer certos alimentos devido a um evento alimentar estressor (engasgo, vômito, etc.), ansiedade antecipatória relacionada ao momento de comer e resistência a colocar o alimento na boca ou engoli-lo. 


Outros especialistas, Bryan Lask e Rachel Bryant-Waugh (2000), também propõe classificações para os quadros alimentares:

Comer seletivo ? apresentam repertório alimentar limitado, se negam a experimentar novos alimentos, podem apresentar baixo peso, adequado ou em excesso, não há preocupação com peso e forma corporal.

Comer restritivo ? consumo alimentar adequado em termos de qualidade, porém com quantidade insuficiente o que gera peso e altura abaixo do esperado para a idade, não há preocupação com peso e forma corporal.

Recusa alimentar ? recusam alimentos específicos ou em presença de determinadas pessoas, usando como estratégia para chamar atenção, podem apresentar baixo peso, adequado ou em excesso, não há preocupação com peso e forma corporal.

Transtorno emocional de evitação alimentar ? geralmente relacionado a um quadro emocional primário, como depressão. Pode ser uma transição para um TA clássico, manifesta-se por uma evitação alimentar que gera perda de peso e alteração de estado nutricional, embora não haja preocupação com peso e forma corporal.

Fobia alimentar ? recusa alimentar direcionada a alimentos e texturas ou aparência específicas, recusa a alimentação como medo de engolir, engasgar, vomitar ou sufocar-se. Pode ocorrer após um evento estressor como uma faringite ou intoxicação alimentar e não há preocupação com peso e forma corporal.


Para saber mais, consulte:

 Lask B, Bryant-Waugh R. Anorexia Nervosa and Related Eating Disorders in Childhood and Adolescence: 2nd Edition 2000. 

Chatoor I. Feeding Disorders in infants and toddlers: diagnosis and treatment. 2002. Child Adolesc Psychiatric Clin N Am. 11: 163-183


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Autor Redação Genta

Equipe de Redação do Genta

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