Comunicação responsável: o poder da palavra e da imagem



Por Erika Romano, nutricionista


Qual o valor das nossas palavras? Qual a importância da informação passada para o nosso paciente? Como nutricionista, você pode mudar a vida do seu paciente? Para melhor ou para pior? Quando em seu consultório você diz para um adolescente com sobrepeso que "é proibido comer batata frita " e durante o final de semana ele vai a uma lanchonete com os amigos, e só aprendeu o que não pode comer, ele saberá fazer escolhas? Ou se privará do que gosta iniciando o fardo de fazer dieta a vida toda? Será mesmo que uma porção de batata no meio de uma semana com alimentação bem programada, será razão para o fim? Ora, é claro que não!


Há tempos já se sabe que proibir alimentos não é a chave para tratar sobrepeso/obesidade, e que ensinar a fazer boas escolhas alimentares tem papel na mudança de comportamento e melhora de relação com o corpo, além do prazer em comer. Mas infelizmente o pensamento do "saudável" versus "não saudável" impera nas informações sobre nutrição.


Imagem, mídia, falas ensaiadas sobre modismos com alimentos distanciam os pacientes da ciência da nutrição e os faz mergulhar no mundo das incertezas nutricionais, onde saudável é sinônimo de restrição e sabor vem junto com punição. Há apenas lugar para os alimentos ricos em nutrientes, descartando - independente do sabor e da história - alimentos que não tenham alto valor nutricional. Pensando assim, então, deveríamos excluir o chocolate. Socorro!! É claro que não...


Quando nós nutricionistas, como autoridades na informação sobre a nutrição, passamos para nossos clientes informações punitivas sobre os alimentos, criamos um bloqueio entre prazer e comer, excluindo o paciente da vida social e dos hábitos familiares, distanciando-o de fazer boas escolhas alimentares conectado à sensação de fome e saciedade, além de criar expectativas desnecessárias sobre "o momento permitido para comer o que gosta". Quanta infelicidade! 


Como profissional da saúde , o nutricionista deve tornar o momento da alimentação diversificado, onde todos os alimentos têm lugar, dependendo do contexto e momento da vida do paciente, onde informações sobre qualidades nutricionais dos alimentos são utilizadas, mas não em detrimento ao prazer de comer. A formação de melhores hábitos alimentares com a liberdade de poder fazer as pazes com sua história e com a comida é fundamental para a boa relação com a escolha dos alimentos, orientada com sensatez e de forma humanizada por um profissional sério e capacitado.

Autor Ana Carolina

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