Por Erika Romano, nutricionista
O mês de dezembro começou, e com ele o espírito de Natal permeia os lares. Luzes, enfeites e pratos clássicos do natal perfumam e colorem o mês. Para alguns, um ambiente envolvente e cheio de tradições.
Nessa semana, ao ver um quadro de culinária na TV, a cozinheira preparava com propriedade uma deliciosa rabanada… Inevitavelmente, a pergunte chegou: dá para fazer light? A decepção transbordou seu olhar e com um sorriso diet ela timidamente respondeu: É, dá sim… Não terá a mesma crocância e sabor… E a frase cuspida do olhar revelou: não é assim que se faz rabanada. A crocância da fritura, a cremosidade do pão embebido e envolto por açúcar e canela. Uma época onde comer representava os cuidados e tradições familiares.
Ainda vejo os olhos de criança passando pela tão aguardada mesa repleta de receitas tradicionais, que só poderiam ser saboreadas naquela época de Natal. E questiono profundamente qual diferença que um pedaço de panetone no mês de dezembro pode acarretar na sua forma física.
Olhando a mesa em preto e branco é como se a realidade fosse uma mentira, manteiga sem gordura, rabanada sem leite feita com pão sem glúten e passada no adoçante em pó, salpicão sem maionese, café sem cafeína e cerveja sem álcool. Nessa época cujos produtos bem sucedidos são a enganação da receita tradicional, a garotinha fit politicamente correta exagera na desconstrução do comer. O que você vive de verdade?
Ao podar o sabor da família, poda-se também tradições e peculiaridades importantíssimas na humanização do comer. O reflexo sobre a perda de possibilidade de sentir os sabores associado a cartões via Whatsapp replicados para centenas de amigos, mostra que nunca o Natal esteve tão na terra do faz de conta… Resta apenas engrossar a massa da procura pelo clássico espirito natalino, da mesa farta repartida sem preconceito, por todos os membros da família.
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